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Forum social mundial: um outro mundo é possível?

comentário I

valeu estar no fórum pela vivência. misturar-se com a diversidade humana vinda de diferentes partes do brasil e do mundo. eram mais de 30 mil pessoas no acampamento da juventude, onde fiquei, e mais de 100 mil em todo fórum… segundo se ouviu divulgar. de certo que não precisava reunir tanta gente pra fazer do outro mundo possível o mesmo velho e acabado mundo que vivemos atualmente, o “mundo impossível”… o mundo das parcas possibilidades humanas. .. o mundo a se transformar. nesse sentido, o forum, enquanto prática de novas formas de sociabilidade, é contraditório, no mínimo… como também o somos, nós seres humanos, em nossas ações construtoras que tanto destroem e massacram. se é pra ser humano, sejamos, então completos e assumamos o nosso lado vulnerável e melindroso, daninho, ubíquo, guerreiro, mercenário e vivo… assim como é essa espécie inconstante, insegura e frágil, que levanta a bandeira de novas possibilidades de mundo, mantendo as mesmas relações econônmicas e de poder, subjulgo e degradação ambiental (isso porque estavamos na tão amada, argumentada, salve, salve… amazônia) … lixo de toda sorte via-se por toda parte, embalagens de plástico e metal, do álcool sorvido aos baldes, num clima carnavaleresco de festa, férias e curtição… (um prato cheio de merda para as moscas varejeiras da moral, do bom costume, da ordem e da subserviência imperialista e neoliberal que revoam dos paletós dos homens-de-bem… ) nesse clima, vendeu-se tudo: água (caríssima num calorão úmido) e comida, transporte braçal e ciclistíco de cargas mil, cachaças caseiras ou não, lanches naturais vegetarianos ou não, açaí, sorvetes (ou chop, como dizem por lá) de frutas típicas, idéias mirabolantes e sustentáveis, corpos seminus, imagens higienizada de belém e até fotografia com índio… os índios pintados e paramentados cobravam por uma foto com os “irmãos brancos” (estou enganado ou já aconteceu algo parecido no passado?… felizmente, agora temos as fantásticas máquinas digitais- que fique registrado o fim de todos os índios, um por um, sorrindo pros flashs, antes que o último desapareça sob o olhar incrédulo de tupã).

uma vez a festa armada, bastava então, que todos ficassem ali no outro mundo, presos e ocupados com suas atividades diárias de serem livres, pro forum ser um sucesso. criou-se uma tensão, um clima de perigo e violência que nos intimidavam a não andar pela cidade. chegamos a ser informados que aquela rua (onde fica a universidade federal rural da amazônia- UFRA) era a mais perigosa do país… como será que se mede o grau de periculosidade de uma rua?… boatos iam e vinham. inclusive da truculência com a qual os moradodres das comunidades locais, em grande parte alheia ao que estava acontecendo ali, estavam sendo tratados antes mesmo do forum começar…

foi aí que eu percebi que as pessoas que criam novas possibilidades de viver no mundo não esperam uma semana por ano para se reunir, num forum mundial, e desenvolver suas práticas. aí que entra a questão da vivência enquanto experiência de estar no forum… elas estavam lá no fórum para mostrar e comparilhar as diversas formas com que cada uma, diariamente, faz do “mundo impossível” um outro mundo possível e não para fazer ou viver no outro mundo possível… dá-se e assiste-se palestras, oficinas, cursos e shows, organiza-se e faz-se protesto, plenárias, dicursos e argumentações, teatros, palanques, mobilização, apelos dramáticos e propostas inovadoras… as pessoas sonham com outro mundo e lutam por ele, se reunem em grandes fórum mundiais… mas são incapazes de vivê-lo, pois pra vivê-lo e vivê-lo juntos, teremos que desaprender- 80 horas por dia… multiplicando Barros- essas coisas do “mundo impossível”… essas mesmas e cotidianas coisas coisas que fazemos pra mudar o mundo. Mas nunca mudamos a nós mesmos… nossos hábitos herdados (ou impostos?) pela única sociabilidade que conhecemos e sabemos reproduzir… mas nós somos o mundo-além-do-mundo a se explorar… somos os mundos do mundo… somos os únicos outros mundos possíveis de mudança…o único mundo possível, o mundo de cada um, ou nosso próprio mundo… nele nós podemos atuar, nele nos podemos transformar e toda mudança em nosso mundo é uma mudança de realidade…. realidade, enquanto forma de ver o mundo. e toda mudança de realidade é uma nova forma de ser. e toda nova forma de ser é uma nova forma possível de mundos… explorando as possibilidades de interação do um mundo (ser) em transformação, com outros mundos (seres), também em transformação… temos a vida, a vivência… para isso o forum valeu…

ah! e o outro mundo possível?

só quando fóruns como estes não forem mais necessários.. .

força da paz

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pré carnaval

pré-carnaval é uma espécie de aquecimento para o carnaval, onde diversos blocos vão as ruas em diversas localidades todas quintas, sextas e sábados um mês antes do carnaval oficial, o qual, segundo os fortalezenses (que viajam em massa nesse período) não é muito bom, apesar de carregar algumas tradições, como o maracatu cearense… eu que nunca gostei da folia carnavalesca aproveito pra curtir o novo… já fui em quatro pré-carnavais diferentes desde que cheguei … tenho aprendido que o carnaval aqui – e talvez em todo o nordeste- tem um carater diferente. é claro que tem toda a exploração turística da coisa, porém antes disso (e por que não dizer na sua origem?) há uma tradição musical, rítmica e comemorativa que não temos em são paulo (com excessão de alguns lugares como são luis do paraitinga, por exemplo), onde o carnaval é meramente um produto alienante empurrado de goela abaixo vinculado ao samba, desfiles de escolas, cerveja e sexo… que temos que engolir fantasiado de alegres, “calientes” e bem humorados. aí, me parece, que está a grande diferença… não vou passar a gostar de carnaval por causa desta constatação, mas é certo que agora olharei com mais respeito para ele… em reverência aos brasileiros (e ao brasil) que é genuinamente alegre, criativo e folião (não sei se o termo fuleiro caberia aqui… talvez)

parece-me que a minha jornada pra conhecer projetos educativos vai ter que esperar o carnaval passar…. assim eu aproveito pra conhecer a cidade sob uma óptica não-turística. ainda não botei (como dizem aqui) o pé no mar. visitei a praia de iracema e o centro cultural dragão do mar, um lugar muito bonito com praças e espaços para shows, cinemas e exposições. onde, aliás visitei uma esposição sobre vaqueiros que foi fantástica. a orla nesse lugar é bonita, mas está bastante deteriorada… também participei no último domingo de uma festa familiar que me lembrou muito as festas em rancharia… muita musica, tocamos violão e cantamos, alegria e álcool, principalmente cachaça… rola muita pinga por aqui…

mas esses passeios só aconteceram depois que voltei do forum social mundial, em belém-PA, há uma semana. Foi uma viagem de 32 horas em um ônibus fretado, com estudantes universitários da UECE e da UFC, de fortaleza até belém…

força da paz

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fortaleza,

talvez fortaleza

revele a leveza

talvez fotaleza

rebele a beleza

ao olho que vê

e não quer enxergar

ao corpo que sente

e não quer flutuar

talvez

seja a praça

o rio, o barco, o mar

talvez

seja o som, o grito

o rito, a luz do luar

talvez

seja o sonho

que alguém esqueceu

de sonhar

talvez

seja o estranho

que na tarde inrrompeu

devagar

talvez fortaleza

talvez a certeza

talvez seja eu…

cheguei em fortaleza no dia 23 por volta das 21h… me esperavam no aeroporto Dani, Leina, Tainara (pessoas lindas e ENCAntadas que conheci em julho… lua cheia, mantiqueira, aldeia e amor) e Lilia (irmã de Leina que conheci naquela hora) fiquei hospedado e acolhido na casa de Leina. neste mesmo dia fomos a um pré-carvnaval, numa região com alguns bares frequentados por univesitários e afins. lugar que fui conhecendo melhor ao passar dos dias: gentilândia… e aí começou uma jornada de ser apresentado e desvendar uma nova paragem, lugar totalmente novo…uma nova cidade, um outro estado… outro universo oral, outro sotaque, costumes diferentes… pessoas novas, seres humanos, num mesmo país… “quem sabe eu me desencontre, enfim?”….

força da paz

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Eu tenho medo e medo está por fora

O medo anda por dentro do meu coração

Eu tenho medo de que chegue a hora

Em que eu precise entrar no avião

Eu tenho medo de abrir a porta

Que dá pro sertão da minha solidão

(…)

Eu tenho medo estrela do norte, paixão, morte é certeza

Medo Fortaleza, medo Ceará”

(pequeno dicionário do tempo, Belchior)

saí de são paulo no dia 23 de janeiro, as 17h:30… duas mochilas e um violão (aquele folk de aço). poderia querer usar de romantismo e dizer que a bagagem estava repleta de sonhos e certezas, mas na verdade, o volume de maior peso era o medo… medo, talvez natural, do novo, medo de seguir uma força contrária a qualquer razão (inclusiva a minha) que me empurrava (ou atraía) pra cá … força maior que eu, maior que o mundo…mas não tive medo de avião.

foi minha segunda viagem aérea, que, por curiosidade, aconteceu no mesmo dia da primeira (de presidente prudente a são paulo 12 horas antes). pude ver o meu estado amanhecendo de oeste pra leste… os primeiros raios de sol decoravam o colchão de nuvens com diversas cores e rabiscos, constratando com a escuridão que ficava pra trás… o fundo negro valorizava as primeiras luzes da aurora, trazendo ainda mais beleza ao amanhecer – o deus diário – visto de um angulo novo… do alto. de onde eu me tornava cada vez menor e insignificante – ainda que parte- … do alto, onde minha alma me ultrapassava… chorei. restava ainda um frio na barriga… e aquela imagem deu ao medo que sentia um tom ainda mais solene. chorei em reverência a ele e pedi – numa prece silenciosa e profunda- que um dia eu pudesse entendê-lo ou, ao menos, que eu aprendesse a conviver com ele… chorei de saudade… e sorri… sorri um riso nervoso lembrando- me da foto de minha mãe com um nariz de palhaço tirada no dia anterior, sorri lembrando de que havia perdido o cartão de embarque duas vezes em menos de 20 segundos… sorri, porque acho que o End fez algum comentário sobre isso, ou pensei ter ouvido ele dizer algo… mas não tive coragem de olhar pra trás, chorei de saudades dele… pela janelinha do avião ainda avistei End, Larissa e Thiaguinho vendo a decolagem…

lá embaixo as cidades, ainda iluminadas, causou-me uma má impressão. tão iguais… tão nocivamente iguais, quanto difundidas por toda parte como única maneira e forma de vivermos, seres humanos, sobre a terra… a imagem foi, com certeza, muito mais aterradora do que a idéia que eu tinha disso… causou- me impacto ver aquelas luzes, como crostas de feridas, enfeitando a pele-superfície (ou furando os olhos) de nosso planeta… já não chorava, mas deu tristeza. parei de olhar pra baixo e aprecei o amanhcer. logo iria aterissar em são paulo e passar o dia no aeroporto de guarulhos.

nesse período conheci algumas pessoas com as quais conversei. uma delas, um militante do PCO, iria reencontrar, futuramente, numa situação interessante, no forum social mundial… mas isso faz parte de outro relato…

força da paz

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Saudações de paz e luz a todos

o que se dirá diante da existência auto-explicativa de um blog?

aqui, neste espaço virtual, pretendo relatar um pouco de minha viagem pelo norte-nordeste e compartilhar minhas vivências por aqui… e assim, de certa forma, me conectar com meus amig@s-irm@os e manter o elo que nos ligou e pra sempre nos trará unidos- em maior ou menor intensidade- no universo da relações de infinitas trocas. a cada dia nos construímos a partir daquilo que “trocamos”uns com os outros, por isso essa pessoa que, viajando, se apresenta agora – EU- é um pouco de cada um daquele que, por ventura (ou desventura) vier a ler, acessar, passar os olhos nestes relatos (e me levar, também um pouco, e ser eu, multiplicador e multiplicado de nós)… serão registros esparsos, anacrônicos, não – sequenciais e, muitas vezes, retrospectivos… o que faz do registro, por si só, o mais importante, centro-centro, sem desmerecer sua importância num contexto, onde ele passa a ser outra coisa, diferente, maior, original, revalidado… indescritível.

há alguns dias estou na “estrada”, por esse mundo nosso-brasil-nordeste, vindo de lá, de onde também não sou (fui ou era), de são paulo, capital. coisa de 2 meses e pouco. viagem de descoberta. chamei. mas qual não é? de fato, de fato, turismo também não foi. viagem de descobertas no destino e nas intenções. muito embora, se o destino – este da viagem – estava definido, o pós-destino, ou “destino” – este da vida – é que não estava, ou não está… sendo feita a vida de pequenas viagens e descobertas, o melhor que fosse essa viagem, de agora, chamada de viagem de perdeção, de ocultamento, encobertas, de incertos… pras descobertas, há de se ter tal bagagem: a vazia de certezas, cheia de coisas que a ignorância faz inútil, que a utilidade não se afigura e que a subutilidade faz de perder o sentido. viagem boba, por final… de menino-zabumba. o som do coração é o mesmo em qualquer lugar. se o ouvido se incomoda é porque tem que se ouvir pra dentro e depois retumbar pra fora.

Viver se vive vivendo.

Vivência: era descoberta escondida…

força da paz

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